Conference: Metering, Billing/CRM Latin America
Location: Sao Paulo, Brazil
Presenter: Ricardo Vidinich
Abstract: Presented by Ricardo Vidinich at Metering, Billing/CRM Latin America

INTRODUÇÃO
As perdas totais de energia elétrica no Brasil, reconhecidas pelo órgão regulador no âmbito da primeira rodada de revisão tarifária, são da ordem de 15% da energia requerida, equivalentes a 46.904 GWh, sendo 32% deste montante correspondente às perdas não-técnicas. Somente as perdas não-técnicas, se considerados os custos necessários ao fornecimento desta energia aos consumidores finais (geração, transmissão e distribuição) acrescidos dos impostos (ICMS, PIS e COFINS), perfazem um prejuízo anual de aproximadamente R$ 5,5 bilhões.

As perdas de energia estão presentes em todas as distribuidoras de energia do país, se diferenciando apenas pela intensidade do problema em cada uma das empresas e pelo grau de agressividade dos mercados das distribuidoras frente às ações para o combate as perdas.

As mudanças que vem ocorrendo na gestão das empresas, em geral, também são sentidas pelas distribuidoras de energia, que a partir dos mecanismos previstos nos processos de revisão tarifária são impelidas a buscar uma gestão eficiente, sob pena de terem sua rentabilidade comprometida, não atingindo a remuneração do investimento realizado.

A melhoria da eficiência das empresas passa obrigatoriamente pela necessidade de redução dos índices de perda de energia elétrica, principalmente por comprometer os resultados econômicos que podem ser ocasionados por índices de perdas elevados.

Dentro deste contexto, a partir da identificação da vulnerabilidade dos equipamentos de medição, os quais estariam sujeitos a possíveis ações fraudulentas e irregulares por parte dos consumidores em função da localização destes dentro das unidades consumidoras, surge à idéia de exteriorização dos sistemas de medição.

As partir daí vários projetos de sistemas de medição externa foram implementados, iniciando-se pela   Centrais Elétricas do Pará S/A – CELPA, a partir de 1999, com a transferência dos equipamentos para a via pública, sendo instalados nos postes dentro de caixas de aço galvanizado munidas de lentes de aumento para visualização da leitura: as CPRedes.
Em 2005, a Ampla – Energia e Serviços S/A, com índices de perdas totais acima de 30% (superiores à média nacional – 15%), também buscou na exteriorização do sistema de medição uma alternativa à coibição de práticas irregulares. Aqui, a medição externa foi acompanhada de alterações no padrão das redes de média e baixa tensão, além da utilização de novos equipamentos de medição com recursos digitais, possibilitando a disposição de outros meios e procedimentos para o registro e leitura do consumo, bem como o armazenamento de outras informações de eventos e grandezas elétricas não disponíveis pelos medidores eletromecânicos, o que permite uma maior troca de informações entre a empresa e o consumidor, além da execução remota da leitura, suspensão e religação do fornecimento.

O projeto de medição eletrônica externa foi executado em conjunto com a denominada Rede Ampla, que alterou a configuração da rede de baixa tensão, passando esta a se situar na mesma estrutura de sustentação da rede de média tensão, em uma altura que impossibilita o acesso com escadas convencionais, dificultando a intervenção de terceiros não-autorizados na rede de distribuição.

Assim, o sistema de medição passou por inovações, sendo constituído basicamente dos seguintes elementos:

  • Medidores eletrônicos individuais, monofásicos, bifásicos ou trifásicos;
  • Contator biestável, quando existir a função de desligamento remoto;
  • Concentrador secundário que abriga os medidores eletrônicos;
  • Módulo CPU que armazena os dados de pulsos de energia elétrica de cada unidade consumidora, localizado também no concentrador secundário;
  • Concentrador primário responsável pelo processamento dos dados provenientes dos concentradores secundários, a partir do qual se executa a leitura, o corte e a religação;
  • Rede de comunicação via par de fios telefônicos auto-sustentáveis, permitindo a conexão dos concentradores secundários ao concentrador primário; e
  • Programa que gerencia todos as informações contidas no concentrador primário através de um computador, possuindo várias opções de comando, como: ajuste de data e hora; agenda e estado dos contadores; transmissão e recepção de arquivos de configuração; geração de arquivos de configuração; religação de concentrador secundário após abertura de porta; teste de comunicação entre concentrador secundário e primário; leitura de contas dos consumidores em kWh; comunicação em tempo real; conexão de modem e outras funções.

Juntamente com essas inovações na padronização dos consumidores de baixa tensão, surgiu também a necessidade de adequação de procedimentos para a realização de ligações novas, alterações de carga (medidores), religação e suspensão do fornecimento. No caso da Ampla, os processos comercias, desde a leitura até o faturamento, também fazem uso da nova tecnologia, com destaque para o sistema de leitura, composto por uma plataforma de comunicação e módulos de comunicação celular. A plataforma de comunicação solicita e recebe os comandos de operações comerciais dos sistemas de medição centralizada, e os módulos de comunicação celular, instalados nos coletores de dados através de uma interface serial, são responsáveis por receber os comandos da plataforma e transmiti-los ao coletor, enviando posteriormente informações de retorno à plataforma. As solicitações de leitura são feitas pelo Sistema Comercial a todos os concentradores em um determinado período do dia.

Além dos projetos CPRede e Rede Ampla com medição eletrônica externa, tratados aqui em linhas gerais, e que refletem a evolução das opções de medição externa implantadas em maior escala no país, outros projetos encontram-se em estágio experimental, ou aguardam autorização para a sua utilização. Porém, todos giram em torno da idéia geral do aperfeiçoamento das atividades comercias e diminuição das perdas, citam-se o projeto da Espírito Santo Centrais Elétricas S/A – ESCELSA, que também faz uso de recursos eletrônicos como leitura remota ou medição centralizada. Além destas, encontram-se com projetos em andamento a Companhia Energética do Ceará – COELCE, a Companhia Paranaense de Energia – COPEL, a Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba – SAELPA e Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG.